terça-feira, 10 de maio de 2016

Hoje morri um pouco.

Dizem que todo o dia se morre um pouco. Se a frase é correta, posso dizer que hoje não foi diferente, mas foi... A diferença foi que hoje "senti" que morri um pouco. E essa morte doeu.

Ser mãe não é uma tarefa fácil. A dificuldade não reside em ter que lidar com os filhos, mas em ter que lidar com nossa própria condição de mãe, permeada pela falibilidade, pelas imperfeições, pela humanidade que nos é inerente. Talvez as mães não devessem ser humanas, talvez assim falhassem menos.

Hoje, sai completamente do prumo, desequilibrei os pratinhos e trespassei todas as linhas fronteiriças do razoável. Na linguagem Marvel, encarnei o Hulk, e não foi incrível. Foi terrível.

Ainda não sei o que ao certo ocorreu... constato apenas que a plateia era formada pelos meus dois filhos, que testemunharam uma mulher completamente descontrolada, sequer capaz de ajustar o volume da voz ou o conteúdo das palavras. Gritei, muito e até não mais ter condições…Seguiu-se um segundo surto, agora de um choro descontrolado e regado a culpa, um choro que aos poucos foi secando, mas que ainda neste momento rende lágrimas.

Em tais momentos tudo o que se busca é justamente aquilo que se deveria proporcionar.... um colo de mãe. Um afago, um carinho, uma palavra. Uma mão estendida para te lembrar que as mães erram, que não são perfeitas e que são humanas, assim como você é.

Hoje morri um pouquinho. Mas ao mesmo tempo em que senti essa morte, senti quão infinito é meu amor pelos meus filhos. Talvez amar seja realmente morrer a cada dia. 

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Dilma X Aécio




- Mamãe, a Dilma ganhou pra presidente?
- Sim filho, ganhou.
- Mas ela não é do mal?
- Não filho, ela não é do mal!
- Então o Aécio é do mal?
- Não filho, ele não é do mal!
- Então a Dilma é do bem?
- Não exatamente...
- Mas o Aécio é do bem?
- É... não propriamente do bem!
- Mas então por que o papai e você votaram nele?
- Ora... porque achamos que a alternância de poder contribui para a manutenção e aperfeiçoamento do processo democrático...
- Mamãe.... não  tô entendendo nada....

- .....tudo bem filho.... não é só você...


Imagem: http://painel.blogfolha.uol.com.br/2014/10/16/campanha-de-dilma-festeja-o-aumento-da-rejeicao-a-aecio-que-chegou-a-38/

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Oi tudo bem? Eu tenho 40!




Percebi que fazemos um estardalhaço às vésperas do aniversário de 30 anos. Balzac dedicou uma obra inteira a ela: a mulher de 30. Nada falou sobre a mulher de 40.

Desculpe-me Balzac, mas trinta anos não são nada. Há ainda os 40!

Parecia-me que esse dia jamais chegaria. Sentia-o como aquelas coisas que quanto mais se avizinham mais nos parecem improváveis, mas ainda assim embaladas pelo nada melodioso som da inevitabilidade.

Decretei que jamais faria 40. Mas num piscar de olhos acordei no dia seguinte, olhei para meu marido e disse-lhe: “Oi, tudo bem? Eu tenho 40”.E cá estou eu. Uma mulher com seus 40 anos que incumbiu a si mesma um balanço sobre sua vida, sobre essa nova idade.

Não há como olhar para trás sem observar o caminho que percorremos. É justamente o que faço agora. 40 anos de vida, 40 anos de amizades, frustrações, aprendizados, amores, tristezas e alegrias.

Se a primeira angustia existiu, e confesso que ela me visitou sem ser convidada, já se dissipou e cedeu seu lugar à verdadeira satisfação de ter colecionado tantos momentos incríveis como também a uma insaciável vontade de continuar vivenciando tantos outros, sejam eles simples ou não, mas todos eles e cada um deles verdadeiramente únicos.

Alguns marcos de idade são realmente enigmáticos. Talvez o sejam porque são datas que comumente escolhemos (ou que permitimos que escolham por nós) para nos avaliar. E essa avaliação me faz perceber que inexiste um “peso” na idade que carregamos, mas há sim um vazio que aos poucos é  preenchido pelas inúmeras coleções de nossas experiência e sentimentos.

Obrigada vida por me permitir tanto e rogo para que possa ainda me esbaldar de ti.

Se, como disse, 30 anos não são nada, quarenta igualmente não são. Há ainda os 50, os 60, os 70, os 80 e todos aqueles que a vida nos reservar. Cada década, cada ano, cada momento com sua singularidade, importância e plenitude.


Bora viver! #partiupravida


quinta-feira, 17 de abril de 2014

A Páscoa e o Ovo


De vez em sempre me pego na mesma auto indagação. Será que estamos providenciando a educação de nossos filhos com os corretos valores. Tenho tentado sempre ensinar-lhes o que meus pais há tanto já me ensinaram, assim como os pais deles em épocas mais remotas. Quando me aquieto com uma resposta positiva, pois sempre tento lhes passar o que é correto, me pego naquela segunda indagação. Quais são os valores realmente corretos? Se é difícil eleger ou apontar os corretos valores a serem vividos, talvez o inverso seja uma tarefa menos árdua. O errado, indiscutivelmente não é o certo.

Munida desse espirito educativo vi-me sentada à mesa com meu filho mais novo, hoje com 4 anos, e a nossa frente a tarefa de casa sobre a Páscoa.

A tarefa, destinada também aos pais, envolvia uma conversa acerca do significado da Páscoa para depois a criança desenvolver um desenho que retratasse os ensinamentos recém adquiridos. Então começamos. Páscoa: ovo, coelho, chocolate... Todo ano a mesma coisa. E  sempre me vejo diante da incerteza do significado de cada um desses símbolos e da influência mercadológica e consumista que paira sobre eles. Esses não parecem refletir os corretos valores a serem abordados. E a Páscoa, então? Com abordá-la? Sobrou-me a ressurreição de Cristo ou êxodo do povo hebreu do Egito.

Escolhi a primeira estória. Deixei de lado o coelho, o ovo e o chocolate pelas razões já apontadas e comecei: Era uma vez um homem muito bonzinho que só praticava o bem e ajudava as pessoas. Seu nome era Jesus. Mas havia algumas pessoas muito más que fizeram maldade a ele e acabaram pregando Jesus em uma cruz. Jesus morreu crucificado e depois foi enterrado em uma tumba ..... A essa altura, considerando que minha estória tinha um pouco mais de floreio, já dava para observar os olhos assustados e talvez até indignados de meu filho: mas ele morreu, mamãe. Sim, Pedro, ele morreu... Continuei: depois que Jesus foi enterrado ele ressuscitou... Ele o que mamãe? Ele ressuscitou Pedro, ele viveu novamente ( assegurei-me em deixar muito claro que somente Jesus e personagens de vídeo game têm esse poder) e em seguida Jesus foi para o céu se encontrar com Deus. Finda a estória, conclui vitoriosa: e na Páscoa nós comemoramos a ressurreição de Cristo, o dia em que ele viveu novamente e foi para o céu.

Certa do dever cumprido, de ter bravamente resistido ao achocolatado sabor desta data, prosseguimos à segunda etapa da tarefa escolar. Observei o desenho que meu filho atentamente construía e que deveria retratar nossa conversa. A julgar pelo seu interesse amplamente manifesto pelo desenrolar da estória, certamente o desenho resultaria em uma cruz, ou uma garatuja que ele apontaria como sendo Jesus. Curiosa, esperei pacientemente os rabiscos se encontrarem em figuras que, embora desconexas para mim, para ele faziam todo o sentido. Acabei! Proclamou o garoto. Deitei meus olhos sobre a folha branca e vi algo parecido com uma ameba marrom e próxima a ela outras amebas menores azuis e verdes. Havia ainda alguns outros rabiscos assemelhados a ampliações de seres microscópicos que circundavam o desenho. O que meu filho teria desenhado? A tumba? A cruz? Os homens maus? Desisti de interpretar o abstratismo que jazia sobre a mesa e disse-lhe: Que lindo Pedro! O que você desenhou? Ele, orgulhoso do desenho, mostrou-me os valores aprendidos e com um enorme sorriso nos lábios decretou: é o brinquedo que vem dentro do ovo mamãe!


Hoje eu perdi. 
(ilustração extraída de 
"http://falaremverdade.blogspot.com.br/2011/04/
e-por-falar-em-verdade-coelhinho-da.html")

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

O Filho de Deus


Escolhi a dedo a escola de meus filhos. Queria uma boa escola, mas uma escola católica, que adotasse os melhores princípios religiosos e da boa moral. Afinal sou católica, temente a Deus e, a bem da verdade, a escola me pouparia de uma tarefa, ou ao menos me ajudaria a bem desenvolve-la: educar meus filhos de acordo com os bons preceitos cristãos.
Devo admitir que dentro de meu propósito, a instituição escolhida me surpreende positivamente, não sem razão toma como nome o nome da mãe Dele.
Francisco tem se saído bem. Demonstra seus recentes conhecimentos religiosos nas conversas e nas inteligentes  e corriqueiras observações infantis que permeiam nosso nada monótono cotidiano. Lembro certa vez que ao brigar com o irmão mais novo chegou a adverti-lo afirmando que este não iria para o céu... Talvez nessa tenha exagerado, mas o exemplo bem demonstra seu avizinhamento com os  assuntos relacionados à divindade.
E justamente numa discussão sobre essa temática digladiavam-se certo dia Francisco e meu afilhado, Felipe. Diziam que Jesus achava isso, que Deus achava aquilo, e assim iam numa conversa interminável e de altíssimo nível filosófico para duas crianças de 5 anos recém feitos.
Eu mesma cheguei a me confundir a certa altura e, ouvindo as considerações dos jovens rapazes, resolvi intervir rapidamente para perguntar-lhes se eles se referiam a Deus ou a Jesus. À pergunta feita recebi um duplo e sonoro "dãhh". Disseram os meninos em coro: "Ué, Deus e Jesus são a mesma pessoa!". A palavra “são” soou muito enfática.
São? São a mesma pessoa? Perguntei a mim mesma! Tentei resgatar os fundamentos da Santíssima Trindade, difícil isso. O mistério central da fé e da vida cristã, verdade incompreensível, mas   relevada em Deus Todo Poderoso. Lembro da catequese que se refere à doutrina em que Deus Único seria a junção do Pai, do Filho e do Espírito Santo, sendo o Pai criador, o Filho  salvador e o Espírito Santo santificador. Ou algo parecido.
Mas em assim sendo por que estariam os meninos se referindo a Deus e a Jesus a um só tempo. Deus pode ser o Deus único, mas a palavra também releva o Deus Pai. Admitir que falavam de  Deus único implicaria também admitir a procedência da observação dos meninos no sentido de que seriam de fato a mesma pessoa, Deus e Jesus. Mas também e principalmente seria admitir que já a essa altura da vida estivessem familiarizados com o conceito de Santíssima Trindade. Será que estavam??? Será que a escola já chegara a esse ponto?
Resgatei meus pensamentos do devaneio e, voltando à luz da razão, conclui que obviamente ainda não sabiam o que era a Santíssima Trindade, eu mesma (e toda a humanidade) tenho dificuldade em entender! Claro, portanto, que se referiam ao Deus Pai. E, partindo dessa premissa aí sim eles estariam errados na observação, pois partindo desse conceito Deus e Jesus seriam pessoas distintas.  Estabelecidos os pontos da controvérsia e alcançada a solução para o caso expliquei aos meninos:
- Crianças, na verdade, Deus e Jesus não são a mesma pessoa. Deus é pai de Jesus e Jesus é filho de Deus.
Quando proferi essas palavras a reação dos meninos foi tamanha como se houvesse eu cometido a maior das heresias. Estaria eu rompendo com o sistema filosófico religioso instituído pela escola por mim eleita? Fabiana, chamei a mim mesma, acorde mulher, são apenas crianças... ainda são apenas crianças.
Expliquei-lhes, então, que Jesus, o filho de Deus, veio a terra para salvar as pessoas, propagar o bem e combater o mal.
Os meninos ficaram pensativos chegando a elevar os olhos como se resgatassem na memória alguma informação correlata. E de fato estavam, pois prontamente me censuraram, se entreolharam, e meu afilhado Felipe me corrigiu dizendo:
- O filho de Deus que veio para a terra para salvar as pessoas e combater o mal, madrinha? Esse é o THOR, aquele... dos Vingadores!

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Trânsito Desacorçoado



A mãe é um ser naturalmente atrasado. E como mãe que sou estava eu hoje mais uma vez atrasada e consequentemente estressada para levar as crianças para a escola. Então lá fui, metendo os dois pequenos no carro ao som de “vamos, rápido, vai”.


Já no trânsito caótico das 13:00 de nossa calma Curitiba lá eu ia em direção à escola e claro, com a falsa certeza absoluta de que provavelmente eu seria o único ser atrasado. Claro que não era.

Lá pelas tantas me proponho a mudar de pista, pois viraria à direita na Nilo Peçanha. Olho o retrovisor, olho o espelho lateral, sinalizo e levo o carro para a direita. Qual não foi minha surpresa quando vejo pelo espelho um carro surgir de lugar nenhum em alta velocidade, como se o sinal não estivesse fechado, e me lança uma sonora, longa e humilhante buzinada. Curitibano não gosta de buzina.

Ao som metálico do buzinaço, me assusto. Prontamente reajo mostrando aquele dedo do meio ao motorista desavisado e pronuncio, com toda a finesa e delicadeza aquelas previsíveis expressões de desaprovação: “Mas que merd..., seu filho de uma put..., caralh..., barbeiro desacorçodado, vai tomar bem no meio do seu c...”

Esqueci-me durante aqueles breves instantes de que não estava sozinha em meu automóvel, mas acompanhada por dois jovens rapazes de 3 e 5 anos de idade.

Assim que percebi esse fato, calei-me, olhei rapidamente para trás esboçando um sorrisinho amarelo. A cara dos dois era de espanto, do tipo “o que está acontecendo?”.

Antes que algum outro evento indesejado ocorresse resolvi olhar para a frente e continuar guiando, mas repassando a cena toda mentalmente me auto reprovando pela conduta explosiva e inapropriada. Pensei: “será que eles ouviram o que disse?” Repassei novamente, um a um, cada um dos palavrões muito bem pronunciados.
De repente o silêncio imaculado é interrompido. Nesse momento tive certeza de que eles obviamente ouviram tudo. E meu filho mais velho, o de 5 anos, me pergunta: 

- Mamãe, o que foi que você falou para aquele tio do outro carro?

Ele se referiu ao filho de uma p.... como “tio”?? Poxa vida, não podia deixa minha convivência comigo mesmo um pouquinho mais fácil? Mas de qualquer forma havia uma pergunta a ser respondida. Resolvi responder com outra indagação: 

- A mamãe falou alguma coisa Francisco? 
Ele retruca:

- Falou sim.... pra aquele tio, você chamou ele de alguma coisa, do quê, mamãe?

“Socorro”. Esse é um daqueles momentos em que você se vê na sainha justa e percebe que realmente deveria ter ficado calma e não aberto a boca. Já estava suando frio imaginando a qual das expressões de baixo calão meu filho se referia. Seria o “filho de uma p...”, o “caralh...” ou o “vai tomar no c...”? Mas graças ao Bom Deus, nessa Ele me ajudou. Francisco emenda sua pergunta anterior e indaga:

- Mamãe você chamou aquele tio de “desacorço...o quê”? Que é isso?

Ufa, a curiosidade dele se referia à expressão “desacorçoado”!!! Menos mal..., bem menos mal!

Mas lá estava eu em outra enrascada, pois afinal, o que é um ser desacorçoado? Peguei logo o celular e cometendo mais uma infração de conduta me ponho a procurar na internet no Priberam Dicionário o exato significado da expressão. E não é que não tinha! A informação era apenas no sentido de que significava o mesmo que descorçoado. Não ajudou muito. Joquei a palavra na pesquisa livre, ainda frente ao volante. E o significado apareceu: desacorçoado significava sem esperança, deprimido. Ou seja, estava bem mais eu desacorçoada do que o “tio” do outro carro. 

Expliquei pro Francisco o significado de desacorçoado. Ele não entendeu bem e muito menos meu outro infante. Mas pelo menos fugi da outra tarefa de explicar o significado das outras palavras proibidas. 

Mas ficou uma pulga atrás da orelha. Desacorçoado é uma palavra bem mais complicada do que aquelas outras, e ele me foi perguntar justamente sobre ela? Será que já sabe o significado das demais?

Bem, nessa altura dos acontecimentos melhor engolir a dúvida do que tirar a limpo.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Pelos na mão




Antes que alguém possa pensar coisa diversa, antecipo-me e respondo: Não, meus filhos ainda não atingiram a adolescência. Estamos ainda na primeira infância e nos fatos recheados de graça e da adorável inocência.
Francisco está com 5 anos e no Primeiro Ano do ensino fundamental. Dentre os importantes assuntos curriculares a turma está estudando sobre o pelo dos animais. Já avançaram bastante no assunto e já descobriram que vários bichos não têm pelos, como os passarinhos e os peixes. E em relação aos pelos as crianças já sabem que há várias cores e tamanhos, como os dos gatos, cavalos e cachorros.
Mas uma das mais interessantes surpresas dessa linha de pesquisa foi a descoberta de que os humanos, categoria que inclui não só eles mas os pais e as mães (os avôs, as avós e os primos, como bem observado por alguns coleguinhas), também são dotados de pelos. A descoberta veio durante a aula no momento em que a professora conduzia a pesquisa através da observação de figuras, retratos e do próprio corpo dos alunos.
Inegável como é interessante o momento da descoberta da criança, mas mais interessante é como a ingenuidade dessa descoberta pode afetar nossa mais íntima intimidade. É que lá pelo meio da tal pesquisa um coleguinha, para agregar à experiência, informou aos demais que o pai tinha tanto pelo que até tinha um bigode embaixo do nariz. Prontamente a outra coleguinha, no mesmo sentido da informação anterior do colega, participou aos alunos que a mãe, tal qual o pai do outro, também tinha um bigodão, mas que de vez em quando ela o depilava. Prosseguindo, um terceiro aluno, avançando nas descobertas, e logo após essa última informação, contou à turma que seu pai também depilava, mas que não era apenas o bigode.
A professora não quis me revelar quais crianças passaram tais informações e tampouco as partes do corpo depiladas. Prontamente fiz um retrospecto da minha vida após o nascimento de meus filhos buscando fatos depilatórios comprometedores meus e de meu marido. Bem... não tenho bigode e meu marido não se depila, pelos menos não a perna... e tampouco outras partes. Será que fui objeto de estudo da turma? O medo estampado na minha cara revelou à professora a minha temeridade e ela, solidária, me acalmou afirmando que o Francisco nada falara da mãe ou do pai. Ufa!
Mas insisti e perguntei se meu filho havia de alguma forma participado da aula. Então ela contou que uma das mais interessantes curiosidades manifestadas pelos alunos  foi o fato do ser humano não ter pelos na palma da mão e que esse fato gerou muita discussão.
Na hora não pude deixar de lembrar como a possibilidade de existência de pelos nas mãos pôde, tempos atrás, se mostrar controversa e temerosa para os adolescentes. Mas logo, me recuperando do breve devaneio, conclui que decididamente vivemos em outra época. Voltei a dirigir a atenção à professora que relatou as mais divertidas respostas. Contou-me que um dos alunos acreditava que a ausência de pelos nas mãos era para que os copos de vidro não escorregassem. Achei muito engraçado, mas confesso que a melhor de todas as respostas que me foram reveladas veio de meu filho, segundo o qual não temos pelos nas palmas das mãos para não sentir cócegas quando a fechamos!!